Tim-tim: as oportunidades de negócios no setor vitivinícola
Tim-tim: as oportunidades de negócios no setor vitivinícola
A consolidação de uma região vocacionada ao vinho
A partir de meados dos anos de 1990, quando o Ministério do Turismo denominou a Serra Gaúcha como Região Uva e Vinho, vinícolas, entidades e uma série de outros negócios ligados ao setor começaram a vislumbrar mais fortemente as potencialidades e oportunidades.
Passadas três décadas, surgem cada vez mais atividades que enaltecem a cultura do vinho e estimulam o consumo.
Crescimento do consumo e novos perfis de consumidores
De acordo com a Wine Intelligence, em 2010, os consumidores regulares somavam 22,4 milhões de pessoas e, em 2020, totalizou 39 milhões. Apenas entre 2019 e 2020 foram mais de 3 milhões de novos consumidores regulares, aqueles que passaram a consumir vinho ao menos uma vez por mês.
Estudos realizados pela Ideal Consulting mostraram que a comercialização de vinhos no Brasil, em 2020, cresceu 31% em relação a 2019, elevando o consumo de 2,13 litros para 2,78 litros.
O distanciamento social e as restrições impostas pela pandemia do novo Coronavírus não levaram apenas os amantes da bebida de Baco a consumirem mais, mas também fizeram surgir novos adeptos.
A aceleração digital e o avanço do e-commerce
A pandemia mudou o comportamento dos consumidores e os negócios que acompanharam as tendências de mercado, especialmente aqueles voltados para o comércio eletrônico, registraram êxito.
Em 2020, o Brasil atingiu o recorde de mais de 1,3 milhão de lojas on-line, o que representou ritmo de crescimento de 40,7% ao ano, conforme a 6ª edição da pesquisa Perfil do E-Commerce Brasileiro.
Ainda segundo a Wine Intelligence, em 2021, 30% dos consumidores regulares de vinho utilizaram as lojas virtuais para comprar o produto, enquanto 59% pretendiam fazê-lo no futuro.
Esse potencial já coloca o Brasil como terceiro maior mercado do mundo, em número absoluto, de consumidores de vinhos online, totalizando 10,6 milhões, conforme a consultoria, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (19,3 milhões) e da China (27,3 milhões).
Clubes de vinho: experiência, curadoria e crescimento
Além de lojas de vinhos, vinícolas e supermercados que fazem a venda física e apostaram nas vendas on-line, o número de adeptos aos clubes de vinho vem ganhando espaço e foi potencializado durante a pandemia.
Entre os atrativos estão a possibilidade de trocar experiências com a ajuda de profissionais que conseguem simplificar a vida de quem gosta de tomar um bom vinho, mas não conhece muito sobre o assunto.
Segundo pesquisa da consultoria Winext, 17% dos consumidores de vinhos compram suas garrafas por meio de clubes. O estudo foi feito em janeiro de 2020 com compradores regulares da bebida.
Os campeões de compras ainda são os mercados, segundo 80% dos entrevistados, seguidos por lojas especializadas em vinho (33%) e e-commerce (28%).
Wine bars: consumo por taça e novas experiências
Outro segmento que cresce nos últimos anos, com a popularização de vinhos e espumantes, é o de bares de vinhos, conhecidos também como wine bars.
Esses espaços têm conquistado enófilos que gostam de ter autonomia de escolher e provar diferentes tipos de vinho sem precisar comprar uma garrafa específica, oferecendo diversidade de rótulos, sempre acompanhados de deliciosos pratos ou petiscos.
Para os iniciantes, a ajuda de sommeliers é sempre bem-vinda e não pode faltar, orientando o cliente a escolher a bebida adequada ao seu gosto.
Qualificação profissional acompanha o crescimento do setor vitivinícola
Não foi apenas a venda e o consumo de vinhos que vêm crescendo nos últimos anos. A procura por qualificação profissional para a inserção no mercado de trabalho da enogastronomia é proporcional, especialmente a partir de 2020, quando o formato online garantiu que uma infinidade de instituições e escolas passassem a ofertar desde cursos básicos aos mais avançados em degustação, sommelier e outros.
Pesquisa realizada pelo LinkedIn mostrou que estudar ao longo da carreira para crescer profissionalmente é o desejo de 70% dos brasileiros. Na pandemia, com o aumento do desemprego para 13,5%, segundo o IBGE, a necessidade de qualificação ganhou ainda mais força.
Instituições e entidades impulsionam a formação no setor
A Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS) encerrou 2020 com um crescimento de 50% em seu faturamento com cursos e atividades de formação voltadas para profissionais que querem se especializar em vinhos. O número de sócios também teve um incremento significativo, de 40%.
Foram realizadas 127 ações no ano marcado pela pandemia do coronavírus. A ABS-RS tem hoje alunos em 17 estados, além do Distrito Federal.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) também viu a procura por formações aumentar 60% no primeiro trimestre de 2021 em relação ao mesmo período do ano passado. A busca aumentou inclusive na comparação com os três primeiros meses de 2019, com crescimento de 21%.
Entre as formações ofertadas pelo Senac está o curso de sommelier, com 160 horas/aula, destinado a todas as pessoas que possuem ensino fundamental completo, idade mínima de 18 anos e desejam atuar na área.
Formação acadêmica e certificações internacionais
Instalada numa região onde é muito forte a cultura da uva e do vinho, a Escola de Gastronomia da Universidade de Caxias do Sul (UCS), inaugurada em 2004, oferece curso de sommelier internacional com a chancela da Federazione Italiana Sommelier Albergatori Ristoratori (Fisar).
Voltada para a qualificação de profissionais em gastronomia e sommellerie, a formação concede ao aluno o certificado básico de sommelier internacional.
Para quem deseja ir além dos cursos profissionalizantes, dois cursos de Mestrado são oferecidos na área.
A UCS oferece o Mestrado Profissional em Biotecnologia e Gestão Vitivinícola, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia e à Área do Conhecimento de Ciências da Vida, aprovado em outubro de 2010. Com duração de 24 meses, possui três áreas de pesquisa:
Enologia e Saúde
Viticultura e Meio Ambiente
Gestão Estratégica em Vitivinicultura
Em 2020, também foi aprovado o primeiro curso de Mestrado em Viticultura e Enologia, representando uma nova perspectiva de qualificação para o setor vitivinícola.
O mestrado profissional é ofertado de forma associada entre os Institutos Federais de Santa Catarina (IFSC) e do Rio Grande do Sul (IFRS) e tem como objetivo promover a qualificação de profissionais para atuar no setor vitivinícola, desenvolvendo habilidades para identificação e solução de problemas, além de oportunizar o intercâmbio de informações e experiências multidisciplinares voltadas à produção vitivinícola e seus desafios nas áreas de gestão, tecnologia e inovação.
Exportações em alta fortalecem o setor
Alguns fatores convergiram para que o mercado de vinhos e espumantes se mantivesse aquecido no primeiro semestre de 2021, como a reabertura de fronteiras e portos em diversos países e o dólar valorizado em relação ao real.
O resultado foi a alta de 127% em volume em comparação com o mesmo período de 2020, totalizando 409,6 mil caixas de 9 litros. Em valor, o crescimento foi de 85%, alcançando US$ 5,7 milhões.
De acordo com Felipe Galtaroça, CEO da Ideal Business, responsável pela pesquisa Exportação de vinhos e espumantes do Brasil, esse é o melhor semestre da história da exportação brasileira.
Os espumantes apresentaram excelentes resultados, com os Estados Unidos mantendo o posto de principal destino, com 86% de share, representando crescimento de 89% em volume e 63% em valor.
No segmento de vinhos tranquilos, o Paraguai mantém a liderança com 79% de share, além de crescimento de 190% em volume e 209% em valor.
“Pela primeira vez estimamos que as exportações brasileiras irão superar 1 milhão de caixas no ano fechado”, comemora Galtaroça.
Destaque regional nas exportações
O Rio Grande do Sul foi o estado brasileiro que registrou o melhor resultado nas exportações no primeiro semestre do ano, em comparação ao mesmo período do ano anterior, com incremento de 132% em volume e 93% em valor.
O Paraná aparece na sequência, com alta de 64% em volume e 57% em valor.
Fonte
Rosângela Longhi
Assessora de Imprensa – Consevitis-RS
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